Após vitória, grupo pró-"Brexit" já recua em promessas sobre saúde e imigração

Liberta das algemas da União Europeia, a economia do Reino Unido prosperaria e sua segurança aumentaria. O Reino Unido “retomaria o controle” da imigração, reduzindo o número de chegadas. E poderia gastar cerca de 350 milhões de libras (R$ 1,6 bilhão) por semana a mais em serviços de saúde, em vez de enviar o dinheiro para Bruxelas.
Antes do referendo de quinta-feira passada (23) sobre a participação britânica no bloco de 28 países, os defensores de sua saída, conhecida como “Brexit”, exibiram promessas de um futuro melhor enquanto rejeitavam preocupações levantadas por uma série de acadêmicos e especialistas como “Projeto Medo”.
Mas isso foi antes de eles vencerem.
Com os mercados financeiros em turbilhão, uma grande queda da libra e a perspectiva de mais caos, alguns defensores do “Brexit” estão recuando nos pronunciamentos ousados que fizeram alguns dias atrás. “Muitas coisas foram ditas antes desse referendo que talvez queiramos repensar”, disse à BBC o ex-ministro Liam Fox, incluindo quando e como o Artigo 50 –o processo formal de saída da UE– deve ser invocado.
Talvez nenhuma promessa seja mais audaciosa –e irreal, segundo os críticos– que a afirmação dos 350 milhões de libras por semana. Boris Johnson, o ex-prefeito de Londres que liderou a campanha do “Brexit”, percorreu o país em um ônibus pintado com o slogan: “Nós mandamos 350 milhões de libras por semana à UE, vamos financiar o NHS em vez disso”, referindo-se ao Sistema Nacional de Saúde.
Horas depois de proclamar o “dia da independência” do Reino Unido, Nigel Farage, líder do Partido pela Independência do Reino Unido (Ukip), ferozmente antieuropeu, admitiu que o número de 350 milhões de libras é “um erro”. Perguntado pela BBC no domingo sobre a promessa de gastos, Iain Duncan Smith, um ex-líder conservador que fez campanha pelo “Brexit”, disse que o lado pró-saída havia apenas prometido “gastar a parte do leão desse dinheiro” no serviço de saúde.
Fonte: http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/the-new-york-times/2016/06/28/depois-de-vitoria-defensores-da-saida-do-reino-unido-da-ue-comecam-a-recuar.htm