Empresa de SC usa nanotecnologia e muda mercado mundial da beleza

Há uma revolução silenciosa em curso em Florianópolis. No centro de produção da Nanovetores S.A., no Sapiens Parque, uma tecnologia imperceptível ao olho humano, ou melhor, em estruturas equivalentes a uma escala de bilionésimo de metro, está revolucionando o mercado de cosméticos, têxtil, odontológico, alimentício e hospitalar em escala planetária.
Em nove anos de atuação, a empresa se consolidou como precursora no uso da nanotecnologia com foco na sustentabilidade e se faz presente no dia a dia de milhões de pessoas em 22 países e projeta fechar o ano com faturamento de R$ 20 milhões.
O que a empresa faz é encapsular seus produtos (os ativos) com material natural e biodegradável, obtendo um resultado de longa duração. Eles estão em tecidos que agem para hidratar o corpo ou na liberação de repelente natural, em cremes, loções e perfumes para peles, cabelos, unhas, combate à celulite, além de curativos para queimaduras, escaras e feridas pós-cirúrgicas com cicatrização em três dias. Uma loção, por exemplo, pode ter efeito de até oito horas.
A tecnologia se faz presente em produtos de mais de duas mil empresas, de farmácias de manipulação a grandes multinacionais de cosméticos.
Como surgiu o empreendimento
O caminho que levou a Nanovetores à condição atual de multinacional foi traçado em 2006, a partir de uma pesquisa acadêmica, fruto da tese de doutorado na França da pesquisadora catarinense Betina Giehl Zanetti Ramos, especialista em biossegurança e doutora em Química. Tudo caminhava para uma segura carreira acadêmica, até que ela e o marido, o empresário Ricardo Henrique Ramos, vislumbraram o potencial para transformar a ideia em negócio.
“A empresa nasce como uma global borns, com pilares, plataformas e tecnologia globais. São premissas como sustentabilidade e uso de fontes naturais que estão alinhadas com pensamento do que se busca fora do país”, explica a pesquisadora.
Com a ideia fundamentada, o negócio seguiu o roteiro aplicado a muitos empreendimentos do ramo da inovação, como encubação, plano de negócio, utilização de incentivos e programas de subvenções para pesquisa e desenvolvimento até se tornar uma sociedade anônima em 2012.
A direção técnica foi assumida por Betina, sendo a gestão com Ricardo, que é o CEO. Conforme ele, a escolha de Florianópolis foi fundamental por conta do ambiente propício para se empreender: acessibilidade à mão-de-obra, incentivos governamentais e estrutura para desenvolver negócios e, principalmente, inovar.
“Se tivéssemos optado por outro lugar, acredito que a empresa não estaria na condição em que se encontra hoje. A Nanovetores é um exemplo prático dessa ideia de fomentar startups, das nascentes em universidades com potencial para virar negócios e ganhar o mundo”, adianta Ricardo.
Até desenvolver o seu primeiro produto, um ativo para o tratamento de unhas, foram dois anos de estudos. Atualmente, a Nanovetores investe 30% do seu custo em pesquisa e desenvolvimento de produtos e conta com uma linha de 34 produtos, mas que já chegou a mais de 90.
“Foi uma espécie de milagre de multiplicações de ideias. Fomos experimentando e desenvolvendo até que, a partir de 2012, começamos a dosar por entender que precisávamos ouvir o mercado e trabalharmos alinhados com as necessidades de venda”, sustenta Ricardo.

Entendemos que há uma crise, mas é preciso ter serenidade pois ela passa, assim como as oportunidades que temos que agarrar”
Ricardo Ramos/empresário

Mercado internacional
Ainda que as exportações respondam hoje por apenas 8% da produção da Nanovetores, a entrada no mercado internacional foi providencial para a empresa enfrentar os sobressaltos da atual conjuntura da economia brasileira.
Um escritório foi montado nos Estados Unidos e uma unidade está em fase de instalação na Europa. Os prognósticos de Betina e Ricardo para o futuro são otimistas.
“Entendemos que há uma crise, mas é preciso ter serenidade pois ela passa, assim como as oportunidades que temos que agarrar. Se realizarmos a metade daquilo que estamos projetando, a Nanovetores será em dois anos dez vezes maior do que é”,  projetam os empresários.
Nova unidade
Em abril deste ano a empresa se instalou em nova unidade, no Sapiens Parque, onde concentram os 60 funcionários. Atualmente dispõe de uma capacidade produtiva instalada para 2 toneladas/dia, mas chegará em breve a 7 toneladas/dia com a nova estrutura.
O grande filão da empresa é o mercado de cosméticos, mas há uma série de projetos em desenvolvimento com clientes de várias partes do mundo. O curativo para queimaduras, citado no início da reportagem, por exemplo, já é uma realidade. Começou a ser desenvolvido em 2010, ao custo de R$ 1,8 milhões, e deve ganhar o mercado em 2017.
Fonte: http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/sc-que-da-certo/noticia/2016/07/empresa-de-sc-usa-nanotecnologia-e-muda-mercado-mundial-da-beleza.html