Jovens faturam R$ 315 mil com trilha sonora para lojas e lista no Spotify

O relações-públicas Rafael Achutti, 32, e a jornalista e DJ, Juli Baldi, 27, sempre quiseram abrir uma empresa juntos, de preferência ligada à música, paixão de ambos.
Em 2013, criaram a Bananas Music Branding, em Porto Alegre (RS), e começaram a produzir trilha sonora para bares, lojas e shoppings, além de playlist no Spotify para algumas companhias. No ano passado, faturaram R$ 315 mil e esperam chegar a R$ 550 mil neste ano. O lucro não foi revelado.
O preço para criar uma trilha sonora para uma loja fica entre R$ 69,90 e R$ 380, dependo do número de unidades. No caso do Spotify, o serviço custa de R$ 2.500 a R$ 20 mil, dependendo do perfil do cliente, tempo de campanha no ar, número de playlists criadas ou frequência de atualização.
Também é cobrado um valor inicial para pesquisa e criação da identidade musical da marca, em ambos os casos. O empresário prefere, no entanto, não revelar o valor porque diz que pode variar muito.
Desde o início das atividades, a Bananas Music Branding elaborou trilhas sonoras para 50 empresas varejistas. Atualmente, eles têm 10 clientes fixos com pontos de vendas e estão com quatro projetos esporádicos em andamento. Normalmente esses trabalhos temporários duram de dois a três meses.
No Spotify, a empresa tem seis clientes fixos, entre montadoras e gravadoras, e realizou 30 projetos.
“Normalmente são marcas que querem ter um canal para investir numa campanha de mídia. Nós fazemos uma reunião para entender o público que desejam atingir, o período do trabalho e a frequência de atualização da playlist e iniciamos o projeto.”
As trilhas sonoras para pontos de vendas têm 70 horas de gravação, o que dá em torno de  1.500 músicas. As playlists montadas no Spotify têm de 30 a 50 músicas  de 1h30 a 3 horas de duração.  Ambas são atualizadas uma vez por mês.

Ideia surgiu ao visitar bares de amigos

Depois de avaliarem o negócio de vários amigos que tinham bares, os empresários viram que eles se preocupavam muito com a variedade do cardápio, qualidade dos pratos e com o atendimento, mas não valorizavam o som ambiente. Resolveram, então, investir na área.
As primeiras trilha sonoras foram feitas gratuitamente para os amigos. Alguns meses depois, os amigos foram indicando o trabalho para outros e surgiram os primeiros clientes.
Durante um ano e meio, eles mantiveram seus empregos e tocaram a empresa paralelamente. “Trabalhávamos à noite ou aos fins de semana para conseguir manter os nossos empregos.” A partir da metade de 2014, é que eles passaram a se dedicar exclusivamente para a empresa.
O investimento inicial do negócio foi de R$ 6.000. Ele foi usado para criar a identidade visual da empresa e um software para a produção das trilhas. “Um amigo programador fez um  preço camarada para começarmos o negócio. No ano retrasado, nós investimos mais R$ 50 mil para atualizar o software.”

Negócio ainda é pouco explorado

Para Fabiano Nagamatsu, consultor do Sebrae-SP (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo), o negócio é inovador e ainda há pouca concorrência. “Eles têm uma vantagem competitiva por estarem atuando num mercado novo, com pouca oferta do serviço.”
Nagamatsu também afirma que outro ponto positivo é que os empresários escolheram atuar numa área de que gostam, o que faz o negócio fluir de forma natural. “É diferente de quem começa algo por necessidade. Normalmente, a decisão é tomada por impulso, sem planejamento e o negócio tende a não prosperar.”

Investimento em inovação é fundamental

O consultor diz, no entanto, que a área exige investimento em inovação com muita frequência. “Os empresários devem buscar inovação para atualizar o sistema e os processos, principalmente fora do país.  Não é um negócio que dá para ser projetado e mantido parado.”
Fonte: http://economia.uol.com.br/empreendedorismo/noticias/redacao/2016/10/28/jovens-faturam-r-315-mil-com-trilha-sonora-para-lojas-e-lista-no-spotify.htm