Ministro defende formação de rede de pesquisadores para estudar o zika vírus

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera, afirmou nesta terça-feira (23) que pesquisadores argentinos devem participar dos editais que serão lançados pelo governo brasileiro por meio do CNPq e da Capes para pesquisar o zika vírus. A declaração foi dada durante entrevista coletiva em Buenos Aires, onde o ministro cumpre agenda oficial. Pansera também defendeu a formação de uma rede de pesquisadores brasileiros e argentinos para participar do edital de 10 milhões de euros lançado pela União Europeia.
`Não existem estudos consolidados sobre o zika vírus. Então, todos os editais que caminhem no sentido da pesquisa são importantes. Nesse sentido, a Argentina, que tem muitos avanços na área de biotecnologia, pode contribuir`, disse o ministro. `O objetivo final é estudar o vírus e, se possível, chegar a uma vacina`, acrescentou.
Segundo Pansera, os editais devem ser lançados nas próximas semanas pela presidenta Dilma Rousseff. Ele explicou ainda que a vacina contra a dengue em desenvolvimento no Instituto Butantã pode ser um caminho para uma vacina contra o zika.
`Existe uma possibilidade de que a vacina tetravalente vire pentavalente. É uma possibilidade. Primeiro, queremos entender o vírus. Para isso, vamos financiar essas pesquisas. E é importante que a comunidade científica argentina participe dessas pesquisas`, afirmou.
RMB
Na entrevista coletiva, o ministro Celso Pansera também falou sobre o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), que dará ao país autonomia na produção de fármacos até 2022. Segundo o ministro, o governo brasileiro vai investir R$ 1,2 bilhão no RMB. Desse total, R$ 150 milhões serão pagos à empresa argentina Invap, que fará o projeto executivo e o acompanhamento da obra de implantação do reator. `Já fizemos um pagamento de R$ 30 milhões em dezembro do ano passado e fechamos um cronograma de trabalho de 24 meses`, explicou.
INTI
Antes da entrevista coletiva, Pansera visitou o Instituto Nacional de Tecnologia Industrial, onde foi recebido pelo presidente do instituto, Javier Ibañez. Ibañez se mostrou entusiasmado com a transferência de tecnologia e compartilhamento de conhecimento entre Brasil e Argentina e destacou o papel de liderança dos dois países.
`Conheço profundamente o Brasil, e podemos fazer muito juntos. Temos um longo caminho percorrido. É preciso fortalecer os laços e dar continuidade em políticas. Temos uma responsabilidade em relação aos outros países da América Latina`, disse o presidente do INTI. `Sempre veremos o Brasil como um parceiro estratégico`, acrescentou.
Criado em 1957, o Instituto Nacional de Tecnologia Industrial é o organismo responsável na Argentina pelo desenvolvimento, criação e transferência de tecnologia para as indústrias.
 
FONTE: MCTI – REVISTA GESTÃO UNIVERSITÁRIA – 24/02/2016 – SÃO PAULO, SP